Na infância abunda a felicidade, a inocência, e o desejo pela descoberta. Nessa altura, não existe "mágoa" ou "vingança" no nosso dicionário, é portanto um mundo de fantasia, onde habitam os sonhos mais extraordinários que alguma vez se sonhou. A felicidade, nesse tempo, é algo que conseguimos facilmente.
A felicidade é algo instável, com múltiplas formas e cores. À medida que cresces o que te faz feliz, vai mudando e os desafios vão se transformando. O choque de emoções, as mudanças afectam o nosso sentimento de amor próprio e pelo nosso redor. Aí, começamos a sofrer. Podemos começar uma fase em que a mágoa é o único caminho, e assim acabamos por querer fazer outros passar por este caminho, pois os seus erros para connosco não os conseguimos tolerar. É algo que o coração não consegue controlar, não consegue conter. Daí surge a vingança, o desejo de que a mágoa passe ao fazer com que a outra pessoa se sinta como nós, a vontade de lhe mostrarmos o que estamos a sentir.
É algo que na nossa mente faz sentido: Fazer sofrer a pessoa que nos causou sofrimento, para que a nossa mágoa alivie.
É errado? Sem dúvida. Justo? Não sabemos, pois se não podemos ser os autores, porque é que temos de ser as vítimas?
Sɑrɑ Rɑmos & Dɑvid Costɑ

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