sábado, 2 de novembro de 2013

Vingança

A nossa condição humana é-nos dada logo no momento em que somos gerados no ventre das nossas mães. Durante meses, desenvolvemos condições para conseguir dar um passo que seja neste mundo. Tudo parece um mar de rosas, onde somos apenas lutadores pelos nossos sonhos, mas a vida humana não é só sonhos. Porque sentimentos como a dor, a vingança, e a escuridão sempre estiveram presentes, à nossa espera.
Na infância abunda a felicidade, a inocência, e o desejo pela descoberta. Nessa altura, não existe "mágoa" ou "vingança" no nosso dicionário, é portanto um mundo de fantasia, onde habitam os sonhos mais extraordinários que alguma vez se sonhou. A felicidade, nesse tempo, é algo que conseguimos facilmente.
A felicidade é algo instável, com múltiplas formas e cores. À medida que cresces o que te faz feliz, vai mudando e os desafios vão se transformando. O choque de emoções, as mudanças afectam o nosso sentimento de amor próprio e pelo nosso redor. Aí, começamos a sofrer. Podemos começar uma fase em que a mágoa é o único caminho, e assim acabamos por querer fazer outros passar por este caminho, pois os seus erros para connosco não os conseguimos tolerar. É algo que o coração não consegue controlar, não consegue conter. Daí surge a vingança, o desejo de que a mágoa passe ao fazer com que a outra pessoa se sinta como nós, a vontade de lhe mostrarmos o que estamos a sentir.
É algo que na nossa mente faz sentido: Fazer sofrer a pessoa que nos causou sofrimento, para que a nossa mágoa alivie.
É errado? Sem dúvida. Justo? Não sabemos, pois se não podemos ser os autores, porque é que temos de ser as vítimas?


Sɑrɑ Rɑmos & Dɑvid Costɑ

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