quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O eterno amor (Texto solto #1)

Desde que me lembro que o conheço. Ele é quase um irmão para mim. Crescemos juntos, brincamos juntos...

Os nossos pais eram grandes amigos, então estávamos sempre em casa um do outro.

Tudo mudou quando ele foi para a Universidade. Ele foi para uma cidade diferente e acabamos por nos afastar... Cada vez mais falávamos menos, e piorou quando ele arranjou uma namorada. A partir daí ele tornou-se mais distante, eu já não tinha a importância de antes...

Da última vez que cá voltou trouxe  namorada atrás. Eu não a suportava. Era por causa dela que ele não falava como antes para mim... era ela a culpada. Ela, apenas ELA.

Fui convidada a almoçar lá em casa dele. Estava ansiosa para o voltar a ver, para estar novamente nos seus braços. Já à "namoradinha" não tinha qualquer prazer de a conhecer e no entanto foi a primeira pessoa que reparei mal entrei em casa: Calças de ganga, camisola preta, cabelo enorme preto e um sorriso estúpido.

Eu iria fazer com que ela se sentisse a mais porque na verdade ela estava a mais.

Dei um grande "Ola" a todos e com um sorriso enorme e braços abertos cumprimentei os pais dele. abracei-me a eles de forma a transmitir para a rapariga que eles eram uns pais para mim, e que naquela família só há espaço para uma (eu). Mensagem essa que consegui transmitir, pois o sorriso estúpido que ela tinha desaparecera.
A seguir abracei-o e dei-lhe um monte de beijos, também uma forma de causar ciúmes à estranha rapariga que me roubara o meu "eterno amor".

Ele apresentou-me mal o larguei. Eu não conseguia mostrar-lhe um sorriso nem dizer um "ola" como disse para os outros. Simplesmente não conseguia, eu odiava-a e isso não iria mudar.
O que acabou por sair da minha boca foi um "ola" sem emoção. Um "ola" sem calor, sem sentido, sem nada.
Cumprimentei-a e virei-me novamente para ele.

Eu tinha que impor a minha posição, eu tinha que lhe mostrar que ela não ia chegar ali e levá-lo. Eu tinha que a fazer ver que nestes vinte e um anos dele, ele fora meu e não dela.

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