Sonhos ficam por realizar e planos por cumprir.
Vemo-nos forçados a tomar decisões que determinam o futuro da nossa vida... Muitas vezes essas decisões dependem do "poder" ou "não poder", e nada tem a ver com o que queremos da vida.
Quantas vezes desistimos de sonhos que queremos realizar, pelo simples facto de não podermos/ não termos condições para que ele se realize?
É triste pensar nisto principalmente sabendo que daqui a uns anos iremos arrependermo-nos por decisões tomadas, e pela vida que levamos, desde então.
Daqui a muitos anos, já perto do nosso último suspiro vamos lamentarmo-nos da vida que tivemos, e imaginar outras que podiamos ter tido.
Como será? Como será que nos iremos sentir? Pior que agora, que sabemos não ter o que queremos?
Todos tentamos seguir os sonhos, uns por muito tempo, outros por pouco, mas todos queremos algo em comum: Felicidade. E será que a iremos alcançar? Mesmo só tendo o que podemos? Mesmo ao não fazer o que queremos na vida?
Isto adequa-se a tantas situações...
Imaginemos um rapaz.
No seu 9º ano não foi para Artes porque na sua escola não abria esse curso.
No 12º ano tentou candidatar-se a design no ensino superior, mas sem sucesso. As médias eram altas (ele teria média muito mais alta se tivesse ido para Artes), e muitas das universidades pediam provas de ingresso de disciplinas que ele não tivera.
Por fim, entrou na sua última opção: Engenharia Informática. Não era de todo horrivel, ele até gostava do que fazia, mas não tanto como design.
Já empregado, tentou licenciar-se a design, mas faltava-lhe tempo.
Passaram anos, e casou-se, coisa que fez com que gastasse parte do dinheiro guardado para a adiada licenciatura em design.
Com os anos passados, vieram filhos, mais despesas, cada vez menos tempo e paciência para voltar à vida de estudante.
Os anos voarão.
Agora já com 80 anos, arrependia-se. Arrependia-se: de não ter seguido Artes, de não ter estudado mais para ter melhor média. Arrependia-se de não ter tido tempo para a licenciatura a design. Arrependia-se até de se casar e ter filhos.
Morreu arrependido, por não ter tido uma vida como sempre quisera.
-Sɑrɑ Rɑmos-