terça-feira, 10 de setembro de 2013

Recuperar.

Por vezes, as pessoas magoam muito, e nós não sabemos como explicar o que sentimos e o quanto nos magoaram, então optamos pela maneira mais fácil: fecha-mo-nos em nós mesmos, guardamos a dor e a raiva para nós; Passamos noites a chorar, e a mandar sms com smiles sorridentes para que ninguém entenda que estamos tristes; Choramos em silencio, fechamos os nossos sentimentos, e então quando chega o novo dia sorrimos.

Ao fim de uma noite, estamos como novos, com energias recarregadas, e sentimentos renovados.

Mas, os sentimentos que prendemos: a dor e a raiva, vão querer libertar-se, vingar-se...

É claro que nós não deixamos, e enquanto eles não aumentam conseguimos suportá-los dentro de nós, e fechá-los num lugar isolado, de onde não podem sair.

No entanto, há muitas pessoas na nossa vida, há muitos acontecimentos ao longo do dia-a-dia, há muita desilusão. Mais tarde ou mais cedo o nosso coração abre-se em sofrimento, e nesse momento o sitio isolado que guardava a raiva e a dor da última vez abre-se também.

A raiva e a dor aumentam,  não conseguimos recuperar numa simples noite, e podemos levar uns dias, até conseguirmos voltar a fechar a raiva e a dor.

O tempo de recuperação torna-se maior conforme as vezes que nos magoarem, e conforme a dor e raiva aumentarem, pois os sentimentos "guardados" juntam-se com os que se formam no presente.

Magoam-os e nós "rebentamos" em sentimentos. Os sentimentos guardados e os sentimentos ultrapassados voltam outra vez, e sempre mais fortes.

Chega uma altura, que semanas não chegam para recuperar de toda a mágoa que está dentro de nós.




- Sɑrɑ Rɑmos -

domingo, 8 de setembro de 2013

Aceitar a mágoa.

As estrelas brilham na negra noite. Como fonte de luz apenas a lua, com o seu magnifico brilho prateado. A calma da noite faz pensar que estamos sozinhos, afastados de tudo e que o céu é o limite.

Por um momento que seja pensamos que os nossos problemas desaparecem e que tudo passa de simples imaginação nossa. E na realidade é mesmo imaginação, pois a vida não muda, e continua a mesma, com as mesmas pessoas e os mesmos problemas.

Voltamos à realidade, e apercebe-mo-nos que está tudo no mesmo sitio, tudo da mesma maneira. Queremos sempre voltar a estar todas as noites a olhar para o céu, para a mágoa que os problemas causam desaparecer e pensar que nada se passa na nossa vida, mas da-mo-nos conta que não vai mudar nada, apenas muda se pararmos de fingir que os problemas não existem.

Se continuarmos a fingir que os problemas vão desaparecer e não fazermos nada para os parar, eles vão se manter na nossa vida. Somos nós que temos capacidade de os "deter", e ultrapassá-los.

Fingir todas as noites que está tudo bem é apenas um desperdício de tempo, e apenas mais uma coisa para ficarmos piores, pois acordamos no dia seguinte com mais mágoa pelos problemas se manterem intactos durante mais um dia.

A mágoa não passa enquanto nós não a aceitarmos e fazermos com que ela desapareça.




- Sɑrɑ Rɑmos -

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

"Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho." - Gandhi

Não existe um destino pré-datado ou um caminho certo para atingir a felicidade extrema, e nem sei se essa mesmo existe.
A felicidade é construída com cada acto do dia-a-dia que nos é oferecido ou oferece-mos.

Num dia podemos estar super em baixo e no outro dia a pular de felicidade, pois esta não é eterna, mas pode durar enquanto fizermos a coisa certa.

Ontem tive a prova disso, que podemos passar de chorar de tristeza para chorar de felicidade, basta um pequeno gesto de ternura.

--Pedro Fernandes--

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Morrer infeliz.

Tantas pessoas que me magoaram, tantas coisas que me fizeram e eu não consigo esquecer.

A dor não sai do meu coração, choro a cada dia que passa, pensando sempre na existência de um dia perfeito que ainda há-de vir, e acreditando que esse dia é o "amanhã".

Adormeço a pensar que mais um dia passou, e que não foi tão difícil como antes. Acordo com o primeiro instinto de ver se tudo o que está a acontecer é apenas um sonho, e quando me dou conta que é tudo realidade juro a mim mesma que um dia tudo irá acabar.

As pessoas ao meu redor não param de me magoar e desiludir, parece que eu sou o alvo de todos.

O meu maior sonho era viver num mundo só meu, com as personagens que inventei para um livro que ainda não terminei. O meu maior desejo é tornar-me uma personagem na história que eu própria escrevi, e construir lá a minha vida e o meu futuro.

Descobri que nada do que faça na vida vai fazer com que o meu destino mude. Sou apenas mais um ser humano, que vive a sua vida insignificante, e que não tem capacidade de mudar o seu destino.

O pior de tudo é que eu acabei de descobrir o meu destino: Morrer infeliz.


- Sɑrɑ Rɑmos -

Eu amo-te, eu odeio-te.

Há situações da nossa vida que fazem com que os sentimentos se misturem todos, faz com que dentro de nós haja uma mistura de tristeza com felicidade, de melancolia com alegria, de amor com ódio.

Uma mistura que é impossível, mas que acontece. Tanto amamos uma pessoa como a odiamos. Tanto estamos felizes como inundados por uma tristeza enorme. 

Sentimentos que não se deviam misturar, misturam-se, e isso cria mais dor. Dor dentro de nós, dor no coração, uma dor destrutiva que tem como objetivo levar-nos a fazer coisas que por vezes nem entendemos.

Eu amo-te, e odeio-te. Eu estou feliz e triste. Estou a chorar, e a sorrir.

Sentimentos opostos a lutarem entre si, para ver quem ganha. Sentimentos complicados, misturados, que fazem que dentro de mim haja um turbilhão de sentimentos a lutarem entre si. 

Como diz a musica:

"I love you...
I hate you...
I can't get around you...
I breathe you...
I taste you...
I can't live without you...
I just can't take any more...
this life of solitude...
I guess that i'm out the door...
and now i'm done with you..."


- Sɑrɑ Rɑmos -

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Podemos amar alguém que não ouve a mesma canção?


"Uma vivência a dois a longo prazo tem de ter uma sólida amizade como cimento, o que implica cumplicidade e partilha. E o ponto é mesmo esse: quaisquer que sejam os valores fundamentais, o nosso parceiro tem de os partilhar"
Só nas telenovelas, e nos contos de fadas, a gata borralheira casa com o príncipe e vive feliz para sempre.

Na realidade, o príncipe tem nojo da gata borralheira: da forma com ela se veste, fala, pensa e actua socialmente.
O príncipe quer uma princesa. Ou, pelo menos, uma tipa sofisticada… E é natural que assim seja. O modo como fomos educados, as escolas que frequentámos, os meios sociais que habitamos, tudo condiciona os nossos gostos, as nossas atitudes, os nossos valores. Os exemplos abundam: ideologias políticas diferentes, religiões distintas, estatutos socioeconómicos diferenciados, ou até coisas mais fúteis como afinidades clubísticas ou culturais diversas, podem ser graves entraves a um relacionamento feliz.

Há excepções à regra, mas é difícil poderem partilhar uma viagem de 3 ou 4h quando um ouve Heavy Metal e o outro Pop.

Qual quer casal tem de ser parecido, ter gostos parecidos, nao necessariamente iguais, mas parecidos.
E claro ambos tem de dar o braço a torcer pelo outro um pouco . E assim ambos viveram felizes para sempre.

--Pedro Fernandes--

domingo, 1 de setembro de 2013

Por vezes temos que fingir

Senti-mo-nos sozinhos sem ninguém, tentamos explicar isso aos vários amigos que temos e obtemos sempre a mesma resposta " Não estás sozinho, tens-me a mim.".
Senti-mo-nos tristes, e não há nada nem ninguém que nos faça alegrar. 
Senti-mo-nos vazios e nada nos pode "preencher".

É nestas alturas que por vezes somos "obrigados" a fingir, somos obrigados a ser-mos bons actores, e pensar que a nossa vida é apenas uma peça de teatro.
Somos "obrigados", porque toda a gente nos enche de frases "Eu estou aqui, podes desabafar", mas nós não queremos desabafar; "Podes-me contar tudo, eu sou um túmulo", mas nós não queremos contar nada; "Podes chorar, eu consolo-te", mas nós não queremos chorar...

Por imensas razões como estas, torna-se impossível mostrar os nossos verdadeiros sentimentos, por isso por vezes temos que fingir. Tentar ser-mos actores 24 horas por dia, e fingir estar-mos normais para que ninguém se aperceba que estamos tristes. 

Temos que fingir sorrisos, conter lágrimas, dizer palavras que não queremos... Enfim, magoar o nosso coração, pois fingimos ser alguém que não somos, fingimos ter sentimentos que naquele momento não temos, fingimos ...

A única coisa boa nisto tudo: aperfeiçoa-mos a nossa capacidade teatral e a nossa capacidade de ocultar os nossos sentimentos.


- Sɑrɑ Rɑmos -